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E Zé vem correndo numa carreira desmantelada. Às vezes vem se batendo nos galhos retorcidos da caatinga seca do sertão, outras vezes vem desviando dos carros e das motocicletas sentindo o calor do asfalto quente e dos prédios de concreto ao seu redor. Mas o som que enche os seus ouvidos é o mesmo. E Zé sempre se aperreia e tem vontade de gritar, e bater a mão no peito. E vem feliz e agressivo. Vem revoltado o Zé. Depois de uma corrida enlouquecida, como o Lampião singrando o sertão causticante ou como Méd Meks, acelerando o seu Interceptor V8 pelas estradas solitárias do mundo sem petróleo, Zé se depara com toda a massa sonora que vem da alma e reverbera em paredes negras de um galpão velho da Praia de Iracema. E ouve a voz da musica, instigante e profunda. E enxerga a situação, e revolta, o Zé. Então ele dança e pula, volta a bater a mão no peito, bate também o pe no chão. O som é alto e potente e visceral. E Zé chora e ouve as mensagens e se agita e pensa e sofre, pois o Zé é brasileiro e tem historia. Tem passado e tem futuro, tem forca e tem pensamento. O Zé tem alma. Ele é SOULZE.
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